Os Grandes Ensaios Terapêuticos em Arritmias Ventriculares e sua Repercussão na Terapêutica Farmacológica Antiarrítmica
Autores: Fernando Antônio Aquino GONDIMI, Wesley Duílio S. MELOI, Henrique Horta VELOSOI, Angelo Amato Vincenzo de PAOLAII
Descritores: taquicardia ventricular, extra-sístoles ventriculares, drogas antiarrítmicas, tratamento
RESUMO:
As arritmias ventriculares têm sido objeto de numerosos estudos multicêntricos nos últimos vinte anos. Os resultados desses estudos modificaram não só as opções terapêuticas atuais, como também motivaram a elaboração de novos ensaios terapêuticos. A população de coronarianos após o infarto do miocárdio tem sido a mais amplamente estudada. As drogas da classe II foram as únicas que realmente preveniram a mortalidade total em infartados sem taquiarritmias ventriculares sustentadas prévias. Já as drogas da classe I, apesar de serem potentes supressoras de ectopias ventriculares, não demonstraram redução da mortalidade. No CAST, em um acompanhamento médio de 10 meses, a mortalidade foi maior no grupo tratado (7,7%) que no placebo (3%). Metanálises realizadas com drogas dessa classe mostraram mortalidade maior no grupo tratado (5,6%) que no placebo (4,9%). Quando comparada com o placebo, a amiodarona promoveu uma redução de 33% no risco de morte por arritmia no CAMIAT, que acompanhou por 2 anos pacientes infartados com arritmia ventricular complexa. Entretanto, a redução da mortalidade total de 18% não foi considerada estatisticamente significante. No EMIAT, comparada com o placebo, a amiodarona tampouco reduziu a mortalidade total em infartados portadores de disfunção ventricular esquerda. Durante 2 anos de acompanhamento em portadores de miocardiopatia, o GESICA revelou menor mortalidade total em uma população com apenas 39% de coronarianos, 1,2 grupo tratado com amiodarona A redução de risco foi de 28%, quando comparada com o grupo controle. O STAT-CHF não demonstrou redução da mortalidade total em miocardiopatas (71% de coronarianos) comparando o placebo (42%) com a amiodarona (39%) durante um acompanhamento de 2 anos. No grupo de pacientes que sobreviveram à fibrilação ventricular, o CASCADE demonstrou menor mortalidade no grupo tratado empiricamente com a amiodarona quando comparado a drogas da classe I guiadas pelo Holter ou pelo estudo eletrofisiológico. Comparando o D,L sotalol com drogas classe I, o ESVEM demonstrou menor incidência de recorrência da taquicardia ventricular sustentada e menor mortalidade quando comparado com seis drogas da classe I em três anos de acompanhamento. O sucesso da amiodarona e do sotalol no controle das taquiarritmias ventriculares sustentadas foi atribuído à combinação da ação classe III com a b - bloqueadora presente nas duas drogas. Com o advento da terapia não farmacológica antiarrítmica, novos estudos que comparem as diversas modalidades de tratamento se farão necessários.
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